terça-feira, fevereiro 17, 2009

CARROS À PILHA E A AR

Fabricados na Índia e na França, carros movidos a pilha e a ar comprimido estarão nas ruas japonesas, indianas e européias a partir de 2009

Depois de tantos altos e baixos nos custos do petróleo, as alternativas para a substituição desse combustível se tornaram uma obsessão em todo o mundo. Inúmeros projetos foram desenvolvidos e alguns prosperaram com sucesso como os carros híbridos da Honda e de pequenas fábricas inglesas e americanas. Seus modelos estavam voltados para a composição de energias provenientes da eletricidade, etanol e hidrogênio. Agora, duas tecnologias de origem francesa e israelense avançam com incrível velocidade e sagacidade. Ambas estão bem próximas de serem lançadas oficialmente ao mundo e marcar a indústria automobilística para sempre.

Shai Agassi e sua proposta inovadora

Shai Agassi (foto), Intel, Renault, Nissan, Honda, Mitsubishi e Subaru são partes de um time do mais alto quilate que aposta na eletricidade para movimentar o mundo. Como se estivessem trocando pilhas de um brinquedo, a idéia deles é vender e comprar baterias de alto desempenho próprias para automóveis que eles mesmos estão fabricando, em postos de abastecimento de energia parecidos com os postos de combustíveis que conhecemos hoje. O custo será menos da metade do que custa a gasolina e quem está por trás de tudo isso, na busca de um mundo mais ecológico e econômico, é um engenheiro de Israel. Agassi é um visionário que, exatamente como muitos outros, por várias vezes tentou emplacar o seu projeto que viabiliza a energia elétrica como combustível, nos sempre cobiçados endereços de Detroit, cidade que abriga as gigantes americanas GM, Chrysler e Ford, viciadas em conceitos ultrapassados e que desprezaram por muito tempo a inovação e a economia - tão importantes para a própria existência. O título de "inovadores" foi para o outro lado mundo onde, os orientais deram mais que uma lição de mercado nos americanos, marcaram a sua presença econômica nos anais da história mundial e hoje, quatro entre os sete maiores bancos do mundo são de lá.

Operação
Shai Agassi é o fundador da primeira rede de postos de abastecimento de energia elétrica, que leva o nome de Better Place (Lugar Melhor), e será instalada em testes no estado americano do Havaí, na Austrália, no Japão e na Dinamarca, exatamente como já ocorre em Israel. O que ele fará é muito simples: abastecerá carros elétricos com baterias e não com carregamento de energia. Ou seja, o cliente chega no posto, troca a bateria do carro e sai andando, tendo pago menos da metade do valor que pagaria se abastecesse o veículo com gasolina. As baterias são carregadas com elétrons de fontes de energias renováveis, tais como a eólica e a solar. A montadora francesa Renault e a japonesa Nissan, ao contrário dos americanos, rapidamente colaram na concepção de Agassi e garantiram veículos em escalada suficiente para o consumo já em 2011, justamente quando todo o sistema israelense deverá entrar em operação. Os que acreditam no projeto compartilham de um mesmo sentimento de mudança na estrutura energética mundial. Não é só um conceito em prol do meio-ambiente, a questão é também econômica e os sabidos da indústria automobilística americana ainda não conseguiram enxergar essa configuração. Apenas contabilizam os prejuízos que os seus carros beberrões estão construindo ao longo dos anos. No Brasil, somos platéia, como é de praxe. Porém, a título de auto-análise, empresas de porte e com muitos anos de vida se comportam de modo empírico e alheio às mudanças na administração de seus negócios. O detalhe que não deve ser esquecido é que até nos EUA a maré mudou e o negócio agora é uma tocada mais dentro da linha de Obama, como já deixou bastante claro o próprio eleitor americano.

Transformando chips em baterias
Na balada da tecnologia, a Intel - a maior fabricante de chips processadores do mundo - já está concentrada para produzir as baterias dos automóveis que deverão ficar cada vez menores e com um volume bem maior de energia. A empresa priorizou a concentração de potência e fez multiplicar em inúmeras vezes a capacidade de processamento dos chips. Quem comanda o projeto é nada mais, nada menos, que o ex-presidente aposentado da Intel e conselheiro da companhia, Andrew Grove. O calibre desse sujeito demonstra o nível de interesse da empresa em suprir uma provável demanda, ainda imensurável, pelo consumo desse tipo de energia. Esse comportamento demonstra, também, que os mercados estão sempre disponíveis à inteligência de companhias que, se bem preparadas, poderão enxergar novos campos de atuação para manter ou até mesmo fazer crescer o próprio negócio. O perigo de não suportar mudanças de grande impacto impostas naturalmente pelo mercado, mora na acomodação, exatamente o que fizeram as grandes montadoras americanas. No frigir dos ovos, elas estão com os dias contados, a não ser que apareça do nada um santo com sobrenome bastante forte do tipo “Jobs” para criar novos caminhos ou algum aventureiro que coloque algumas dezenas de bilhões de dólares em seus bolsos em prol, apenas, da sobrevivência por um tempo não mensurável.

Tata Motors comanda o show dos carros movidos a ar

A Tata Motors, uma companhia indiana de veículos que controla a Land Rover, a Jaguar e uma penca de outras empresas igualmente importantes, anuncia ao mundo as suas pretensões mais audaciosas para 2009: a venda do carro movido a ar quente comprimido. O projeto desenvolvido por um ex-engenheiro de fórmula 1 é revolucionário e estava na gaveta há mais de 15 anos. Por inúmeras fábricas de carros Guy Nègre, o chefe da equipe que desenvolveu o projeto, passou sem sucesso algum. Entre elas, como de praxe, as gigantes de Detroit - Chevrolet, Crysler e Ford, que hoje estão passando um aperto financeiro inédito e que devem estar lá com os seus botões pensando porque não tiveram a mesma visão dos indianos.

Histórico inovador

O comportamento da Tata Motors demonstra uma admirável e arrebatadora versatilidade. Simultaneamente aplica recursos em marcas voltadas para um mercado caro como é o caso da Land Rover, esportivo clássico como é a Jaguar, em veículos voltados para a construção civil, outros para transportes coletivos urbanos e veículos leves e econômicos de baixíssimo custo num espectro de atuação bastante amplo. Há pouco tempo, a Tata se apresentou ao mundo comprando ações de grandes companhias, mostrado que tinha peito, energia e criatividade para enfrentar e até mesmo controlar grandes companhias mundiais. Trouxe ao mundo de modo triunfal, o pequeno, mas muito simpático e econômico, NanoTata. Um veículo de design arrojado que oferece tudo que os consumidores estão acostumados a usufruir em carros de passeio comuns, mas que vem com um predicado bastante relevante: o preço, estimado em apenas US$ 4.500,00. Esse lançamento já havia deixado toda a indústria automobilística de cabelo em pé, mas o impacto que o carro movido a ar deverá causar às grandes do planeta promete ser maior do que a crise financeira que já está derrubando uma a uma.

Desempenho

O pequeno airado pode alcançar 110km/h, e com apenas R$ 4,00 é possível rodar 200 km. Para abastecer só será necessário se dirigir a um posto de gasolina comum que tenha a bomba injetora de ar quente comprimido, que aciona os pistões do motor, e voltar para a estrada, simples assim. Em tempo de proteção à natureza, o carro pode ser considerado a última palavra em termos de tecnologia de transporte, pois seu índice de poluição é praticamente zero. Não é de hoje que os indianos surpreendem e o lançamento do carro movido a ar tem o conceito de economia em tudo. O modelo é pequeno por fora e grande por dentro, seguindo a tendência mundial de produção cujo norte é oferecer carros com o conceito urbano onde prioritário é ser pequeno, confortável, econômico e com bom desempenho. A Tata não deixou por menos e trouxe ao mundo a versão cargo também, onde o veículo tem uma configuração para servir a logística das pequenas empresas, outra tendência comercial mundial. Para ver o pequeno notável em ação, navegue até o site da BBC Brasil e faça a busca por “carro movido a ar”. No link existente na página você poderá descobrir o quanto os indianos foram perspicazes. O preço que se paga por não bancar o próprio desenvolvimento, em muitos casos, é bastante alto. No mundo, relâmpagos de inovações sempre nos alertam que é preciso mudar a maneira de pensar e de que é preciso investir no criativo, descortinando as fronteiras do desconhecido. Agassi e Nègre são exemplos de idéias brilhantes, não muito diferentes das dos gênios espalhados por todo o Brasil, que ainda falam com as paredes quando pleiteiam algum tipo de colaboração financeira à iniciativa privada ou ao poder público. Os criadores dos veículos movidos a pilha e a ar, mesmo com tanta clareza nas suas concepções, não encontraram no passado respaldo nos grandes líderes do segmento. Por sorte deles e do resto do mundo, do outro lado do planeta apareceram empresas que vislumbraram os seus conceitos e liberaram recursos para que pudessem avançar.

MCWAY FALL


A Pérola no mar do Pacífico na Califórnia

McWay Falls é uma obra de arte em forma de cachoeira. Falar que a queda d'àgua beirando o mar é deslumbrante é pouco, pois há um conjunto de fatores que deixam o local no litoral da Califórnia americana com uma beleza ímpar que só pode ser apreciada de modo completo se a visão for do mar. Desse ângulo, o pôr do sol é intitulado como um dos mais impressionantes do mundo. Infelizmente, não é permitido que os visitantes desçam até a enseada ou se aproximem mesmo que seja pelo mar e vários são os motivos. Além dos administradores estarem preocupados com a questão da preservação do lugar, o acesso à praia é muito perigoso. No contexto, há, também, o que os apaixonados por McWay chamam de “grandeza mística” e, segundo eles, se houvesse a presença humana constante, essa característica seria perdida em pouco tempo. A cachoeira, que tem uma queda de 25 metros, é alimentada por mananciais subterrâneos durante todo ano, o que garante o belo visual a qualquer tempo. A fama de McWay Fall é tão grande que fotógrafos dos mais variados quilates e de todas as partes do mundo se organizam para sessões intermináveis de fotografias, especialmente ao cair da tarde.

Big Sur

Esse monumento natural fica no Parque Estadual Julia Pfeiffer Burns, na Califórinoia, e é um dos cartões postais da Big Sur, uma estrada litorânea das mais lindas. Pelas suas curvas, a rotina é apreciar belíssimos penhascos e rochedos batidos pelas ondas ferozes do Pacífico. A história do local começou com os colonizadores espanhóis, que foram os primeiros a notar a beleza do lugar, referindo-se ao ''Grande País do Sul'' - daí surgiu o nome misto, Big Sur, que sobrevive até hoje. A região ficou mais acessível em 1930, com a construção da Highway 1, feita por frentes de trabalho criadas pelo presidente Franklin Roosevelt, cujo objetivo era o de amenizar os efeitos da grande depressão econômica que aconteceu em 1929 nos EUA. Para fazer uma visita à região, existem pacotes no Brasil oferecidos por cerca de US$ 1.500,00 incluindo 2 noites em São Francisco. Outros roteiros mais sofisticados podem chegar a US$ 1.900,00, mas contam com atrativos como 2 noites em Los Angeles, 1 em Central California Coast, 2 em São Francisco, 3 nos parques Yosemite, Sequoia e Death Valley e 2 em Las Vegas, com hospedagem e aluguel de carro inclusos.

MUNDO NEGRO


Uma luz no fim do túnel
A presença da arbitrariedade, da força, do preconceito, da injustiça e da desigualdade social foi uma constante marcante na história do planeta. Mesmo em países desenvolvidos, especialmente os EUA, referência mundial social e econômica, nos últimos 100 anos, foram registrados desequilíbrios extravagantes como o racismo declarado e as guerras desproporcionais aos motivos e objetivos nelas contidos. Após a vitória de Obama, o mundo ganhou uma nova configuração de poder. Espalhado pelo planeta, na esteira de possibilidades que a eleição do presidente dos EUA criou, existe um batalhão de negros competentes, admirados, formados pelas melhores instituições do mundo e preocupados em melhorar cada centímetro de onde suas mãos possam alcançar.

Barack Hussein Obama

Em 2009 estaremos escrevendo o salto dos segregados e oprimidos ao poder na história do mundo. Para alguns poucos, o novo presidente americano não passa de uma cabeça de fósforo que irá se apagar rapidamente. Já para a grande maioria é um poço de es-perança de dias melhores. Para uns raros, Obama representa uma real quebra no sistema de comando do planeta, numa configuração onde a raça de maior alvo de injustiças sociais inverteu o poder e agora manda em tudo como nunca havia acontecido antes.

O que temos a aprender com ele

O que o novo presidente tem de mais valoroso a nos mostrar, além de uma admirável determinação pelos estudos e o trabalho, é a sua metodologia de desenvolvimento humano. Tudo o que ele é, tem a base fortalecedora nos relacionamentos com as pessoas. Não se trata apenas de políticos, mas, singularmente, do envolvimento pessoal com a população mais pobre e desprotegida. Engajado em projetos sociais há décadas, Obama sempre dedicou tempo e esforço para ajudar comunidades por todas as regiões na qual viveu e essa postura pôde conduzi-lo ao entendimento sobre o sentimento humano e as suas carências afetivas e materiais. Os olhos das pessoas que o conheceram de perto no restaurante ou no barbeiro brilham com uma intensidade sem igual. Eles conhecem a pessoa que está assumindo o poder e sabem como essa figura humana sente e pensa. O boca a boca, não é de hoje, foi capaz de encher estádios e fazer borbulhar cidades por todas as direções da América. Carismático, fez com que suas palavras ecoassem aos mais sombrios ouvidos: “sim, nós podemos”. As lágrimas comoventes e honestas de pessoas simples, brancas e negras, presentes nos comícios de Obama davam sinais a todos de que algo diferente estaria para acontecer, um momento onde o mundo viveria a sua maior transformação social e política de todos os tempos. Já perto das eleições, ainda se ouvia dizer por meio de pessoas importantes, em tom profético, que o povo americano jamais daria o poder a um negro, uma situação que não combinava com a história daquele país. Como todos já deveriam saber, o povo mudou e o poder também. Barack Hussein Obama é a representação máxima dessa significativa transformação.

Sem dimensão

Na periferia, aos arredores da ostentosa riqueza de Brasília, Sônia, negra, catadora e recicladora de lixo, é líder de uma comunidade que conta com cerca de 3.500 pessoas, todas sem recursos e que tem os olhos voltados para aquilo que os ricos descartam. Ela é o pivô de sustentação desse grupo e usa o envolvimento pessoal e a cumplicidade para manter de pé uma união que nasceu há 10 anos. Ao conversar com Sônia, é fácil reparar que está sempre se referindo ao todo. A sua prioridade e atenção está sempre voltada ao grupo, à sociedade pela qual defende, exatamente o que Obama transpira em suas ações. Envolta das duas celebridades, cada uma em sua dimensão, a aura social, de visão para o todo e do esforço pessoal que prioriza a evolução e o bem estar comunitário, é notória e desconcertante. O bem-querer é desconcertante. Ao convocar toda a família para os trabalhos sociais e assegurar atenção aos países mais pobres do globo, Obama compartilha os nobres desejos de um mundo melhor com os mais sonhadores e acena para que eles acreditem nisso. A sua eleição é a prova de que ele está certo e Sônia já sabe disso.

Sim, nós podemos

Por todos os lados, a luz intensa, advinda de negros das mais diferentes habilidades, desponta e surpreende como se ali nunca houvesse existido nada que pudesse chamar tanta atenção. Na ignorância de lideranças jurássicas sempre residiu a incredulidade e a resistência às necessárias mudanças que as pessoas, cidades e países precisam passar para se desenvolverem. E a qualidade das relações entre as pessoas é a célula alimentadora para a promoção dessas mudanças. É importante saber dizer “não”, mas é preciso cuidado ao expressá-la. A palavra “não” é a ferramenta mais usada para interromper a liberdade de prosseguir em uma ação, um projeto, ou uma direção. Ela é tão forte que por mais que um cientista, um professor ou um político acredite que dá para fazer diferente, na grande maioria das vezes a sinalização negativa é o último suspiro dado por quem detém o poder. Obama, porém, disse “sim, nós podemos”- o sonho de consumo das mentes brilhantes e transformadoras do mundo que não temem o risco para que possam efetivamente transformar. Sim, nós podemos, deve ser gravado e repetido todos os dias aqui e no resto do mundo por pais, empresários, professores, administradores, cientistas e políticos, para que realmente possamos sair da condição tacanha e pobre de espírito que já nos acostumamos a viver, sem considerar o próximo, os seus traços fortes e a configuração social na qual foi inserido muitas vezes contra a sua vontade.

Barbárie, reflexão e mudança

O modelo com que construímos nossas relações familiares e sociais é aquele que poderá servir a consciência de todos nós sobre o tipo de sociedade que somos hoje. No âmbito geral, nosso semblante é de egoísmo, onde a palavra curta e grossa, não educada, se faz acontecer por uma necessidade de condução velada ou descarada mesmo. A arrogância e o exclusivismo são latentes e exibíveis a todo instante, seja num restaurante, num shopping ou nos sinaleiros. Muitos de nós, não podem nem perguntar o que aconteceu com a decadência dos valores morais, pois entendem a priorização do ego como um processo natural, simplesmente por terem nascido dentro de sociedades que só conseguem exibir um quadro individualista, triste na alma e afastado das coisas simples como a gentileza e o afeto. São modelos que direcionam a todo instante, orientando de acordo com os interesses de poucos, nas escalas familiares e sociais, como devemos ser e agir. A julgar pelos resultados obtidos até agora, essa condução se mostra extremamente equivocada. Os americanos, pela profunda mudança que estabeleceram, parecem estar convencidos disso. Mas países como o Brasil terão que rever profundamente o padrão de relacionamento e desenvolvimento que querem instaurar. Estarmos próximos da barbárie, onde a sociedade sofre de todos os males físicos e espirituais em coro, é motivo para uma grande reflexão. A eleição de Obama é um presente para o mundo, independente do que ele vier a realizar. O importante, hoje, é o que ela significa. Mostrar que é possível mudar radicalmente foi a dádiva do século e, por isso, é hora de agradecer e reverenciar a coragem e audácia americana. Por aqui, nos resta prestar bastante atenção no que está acontecendo e aprender.

David Lamy

Na esteira da valorização do negro, com desenvolvimento paralelo ao atual presidente americano, o inglês David Lamy, ao lado de Obama na foto acima, é uma dessas figuras espetaculares. Basta dizer que aos 28 anos de idade foi eleito para o parlamento britânico com o título de o mais novo político da casa. Serviu ao país em diversas pastas nos gabinetes do governo de Tony Blair e Gordow Brown, como subsecretário de saúde e Ministro de Assuntos Constitucionais, de Cultura e do recém criado Ministério das Habilidades, que engloba Inovação e Universidades. Com histórico esquerdista, de família humilde da cidade operária de Tottenham, integrante do Partido Trabalhista do Reino Unido, encapsulado pelo corporativismo entre nações e a bandeira de Tony Blair, surpreendeu como ativista da educação por natureza e convicção. Trabalha muito para difundir o estudo acadêmico e o técnico profissionalizante em sindicatos e em cooperativas em geral - especialmente de ex-presidiários - na busca de um maior equilíbrio entre o ensino formal e o vocacional - aquele que conhecemos como autodidata.

Vocação e habilidade

O pensamento de Lammy se torna relevante nesse incontestável momento de transformação porque suas ações são pautadas também pela simplicidade, voltadas para a formação técnica de adultos em modo contínuo, identificando em cada um a sua base vocacional, em apoio às habilidades práticas e simples como o serviço de encanador, eletricista ou trabalhador de fábrica. Segundo Lammy, há um desequilíbrio entre a formação para a praticidade do dia-a-dia e a formação de executivos e doutores acadêmicos. A idéia central dele é desenvolver mecanismos que possam garantir o desenvolvimento profissional com progressão hierárquica àqueles que estejam com a chamada mão na massa, criando o valor justo para remunerar esses serviços essenciais. Para que isso seja possível, ele sugere o ensino perpétuo, o que elevaria muito o grau de entendimento do profissional sobre aquilo que ele está trabalhando e também o capacitaria para abrir as portas de novas empreitadas, inclusive em outras áreas. Lammy considera que a economia moderna é essencialmente mutante e é por isso que o trabalhador deve se manter preparado para criar interfaces apropriadas para enfrentar as mudanças e estar pronto para encarar essa condição, não como um entrave profissional, mas sim como uma oportunidade de desenvolvimento. Em entrevista à Revista Desafios, ele disse: “eu era um advogado antes de ser político, mas não acho que o mundo precise de mais advogados, nem contadores. Veja, por exemplo, o desafio das mudanças climáticas. Quem solucionará esse problema não serão os advogados, mas engenheiros e cientistas”. Ele fundamenta tudo o que diz com a própria variante profissional e com as necessidades reais do mundo moderno. Além da flexibilidade e da adaptabilidade, Lammy levanta, ainda, a questão da importância de saber falar várias línguas, já que a tendência é o emprego não ter mais fronteiras. Todo o seu trabalho é no sentido de otimizar e encurtar ao máximo o tempo da formação técnica britânica, para o que ele apresenta como o novo desafio do mundo, a corrida das habilidades do século XXI em substituição à corrida armamentista do século XX, esclarecendo sobre o que vai ser realmente importante daqui para frente. Algumas propriedades são fundamentais para a fluência das habilidades. Nas entrelinhas desse movimento diplomático está a capacidade de se relacionar, de se comportar humildemente, a prática de atitudes equilibradas e se utilizar do máximo de respeito nas relações humanas. O brilhantismo de Lammy está em falar isso em alto e em bom som para os britânicos e para o mundo, revelando a nova era onde arte de ser hábil com a mente, as mãos e as palavras será a grande fonte de riqueza das nações. Que o diga Barack Obama.

Paralelo das Américas

A mudança radical no comando de uma nação não foi um desejo exclusivo do povo americano. No Brasil, essa manifestação foi evidenciada na eleição do trabalhador pernambucano Lula. Da mesma forma que o negro americano, hoje no comando da Casa Branca, sofreu e ainda sofre com o preconceito e a desvalorização social, o trabalhador brasileiro, especialmente o nordestino, que ainda alimenta as fábricas do sudeste com mão-de-obra barata e em muitos casos escrava, foi a carta da manga do cidadão comum para mudar os rumos do Brasil na sua história política, social e econômica. Independente da qualidade do comando que Lula ou Obama exerçam, o que deve ser ressaltado historicamente é o desejo da mudança e a força soberana que os povos tiveram para conduzir os dois ao poder. Os discursos dessas duas lideranças sempre foram em prol da camada mais pobre da sociedade e apaixonadamente pela nação em si. Os olhares emocionados e as expressões reflexivas e verdadeiras em ambas as posses representaram a esperança pública e notória dos seus cidadãos americanos e brasileiros em viver dias melhores. O fato de as palavras dos presidentes se manterem firmes e orientadoras dá a segurança e credibilidade tão necessárias para a efetivação de um governo de qualidade e realmente próspero. E o apoio do povo se mantém incondicional e dá respaldo político para enfrentar as adversidades sempre presentes nas empreitadas pelos representantes das elites. Durante os dois mandatos de Lula, o Presidente conseguiu manter o foco em duas plataformas básicas para o desenvolvimento do Brasil: um exemplar controle de caixa e fluxo financeiro, e a criação de mecanismos de apoio financeiro e social às famílias mais carentes, especialmente do nordeste do Brasil. As ações para recuperar a economia e resgatar a auto-estima americana podem estar próximas da receita nordestina de Lula e Obama já deu sinais que irá servir ao mundo um prato parecido. O que deve ser ressaltado é a simplicidade exposta nas palavras de ambos sobre o que será feito. A grande maioria entende, quer e assina em baixo. Os índices de popularidade dos dois líderes corroboram isso. Há, é verdade, algumas diferenças entre os dois, mas não com relevância suficiente para sobressair à espiritualidade, humildade e simplicidade com que ambos se apresentam às suas nações e ao mundo. Chama atenção o diferencial da pauta da ética como o primeiro norte de Obama e são de grande dignidade as suas ações explicitas para que essa base moral se torne a máxima do estado americano. Contudo, mesmo que ainda não possa ser vislumbrada no Brasil com tanto vigor e determinação, há em Lula a força para energizar o país com essa prerrogativa. O momento é de glória mundial onde as mudanças serão feitas com o aval de todo o planeta. O momento é de reflexão para perceber que o desejo de mudanças não está só nas questões administrativas e operacionais. O momento é de conscientização sobre a necessidade de ter outro tipo de relação com o próximo, com a cidade, com as lideranças e com o mundo, onde possamos ser orientados pela ética, verdade, simplicidade, solidariedade, poupança e preservação. Não será fácil. Mas, pelo menos, já sabemos por onde ir.

DE VOLTA AO ÓBVIO

O que desaba nas profundezas de um imenso bolso vazio é o crédito lastreado numa solidez e sustentação que nunca existiu. Toda a cadeia de produção e de comercialização interligada mundialmente sofre dos mesmos males: a evaporação de um dinheiro alimentado pela fantasia monetária das instituições financeiras e a falta de reserva individual de dinheiro de verdade - aquele que um bom poupador tradicional costuma guardar embaixo do colchão. A crise é o momento onde a reserva financeira é o único dispositivo capaz de dar segurança às pessoas, às famílias, às empresas, às cidades e ao país, para passar a turbulência e a incerteza nas quais, no momento, o planeta todo está vivendo. Temos que tirar o chapéu para a reserva de Lula, tantas vezes contestada e que agora, diante de um mundo sem o dinheiro lastreado em cofres fantasmas, mostra o seu valor.

Viciados no consumo

Os americanos das últimas décadas, em termos gerais, nasceram viciados no uso do dinheiro dos outros para consumir num ambiente onde tudo é crédito e nada vem de uma reserva pessoal. Como educá-los a não hipotecar as casas onde moram? Como mudar o perfil das pessoas que usam crédito desde o dia que nasceram e que agora precisam aprender a poupar? No Brasil, especialmente nas grandes capitais, na era pós-inflação, fomos tomados pela condição de inúmeras parcelas para consumir ilusoriamente sem juros. Isso é, nos ensinaram a gastar o dinheiro de quem poupou para encurtar o tempo de realização das nossas vontades quase sempre desnecessárias. Há um vírus de consumo por meio do crédito latente na veia da grande maioria dos consumidores brasileiros e que será muito difícil vencê-lo. Mesmo com os excelentes argumentos quanto ao pagamento dos juros reais mais altos do planeta e o exemplo da tsunami financeira nos EUA, muita gente ainda acha que vale à pena seguir com o consumo, muitas vezes inútil, utilizando recursos do bolso dos outros sem se preocupar com o alto custo disso.

Saturação mental

O fomento para a utilização do crédito é diário. Os anúncios das grandes lojas dão verdadeiros choques promocionais na mente dos possíveis consumidores, animando-os com as possibilidades de compras parceladas e depois da operação, os jogam no enorme contingente de devedores. Sim, qualquer operação com o cartão de crédito transforma imediatamente o cidadão em um devedor. As classes C e D, antes mais pobres, mas agora com cartões de crédito no bolso, encontraram a sensação de respeito público quando conquistaram limites financeiros próprios para a compra de uma infinidade de eletrodomésticos e outras coisinhas. É comum encontrar barracos em regiões carentes com muita tecnologia dentro e um carnê interminável sobre a cômoda. Mas, também, é comum encontrar pessoas de bem com a auto-estima estraçalhada por não terem condições de honrarem os compromissos financeiros assumidos num contexto, antes, animador.

Simplicidade oriental

Há algum tempo, em uma reportagem, pude acompanhar um chinês em Xangai comprando um carro de luxo 0 km na concessionária. Para pagar, ele tirou vários maços de dinheiro de dentro de uma sacola de feira e realizou o negócio. Aquilo foi chocante! Nunca vi algo parecido por aqui. Uma cena que por lá me foi mostrado como a coisa mais normal do mundo. Isso revela uma configuração social onde crédito e poupança são fontes para o consumo regido por uma ordem cultural. No Brasil, compramos carros com carnês cheios de boletos que mais parecem livros de tão gordos. Na China, até mesmo os consumidores mais simples, recorrem ao dinheiro vivo da sua reserva de recursos próprios para adquirirem bens de alto valor.

O cair da ficha

Compreender que não precisamos do dinheiro de terceiros para viver é o primeiro passo para reconduzir as pessoas para uma vida sem tantas amarguras provenientes de dívidas cada vez mais difíceis de pagar. O segundo, é mostrar que nem tudo que desejamos é necessário para a nossa felicidade, e que um colchão financeiro nos deixa com uma paz de espírito muito mais duradoura do que qualquer TV de 42 polegadas. O terceiro, é esclarecer que é muito melhor conduzir a vida tendo recursos para definir os seus próprios caminhos do que ser obrigado a fazer o que não quer para pagar os caprichos do passado.

LIBIDO


Mulheres podem estar praticando monogamia oportunista em série

Estudos realizados nos Estados Unidos revelam que mulheres com uma concentração mais elevada de um hormônio ligado à auto-estima se consideram atraentes e têm mais chances de ter casos extraconjugais, trocando de parceiros com freqüência. A pesquisa foi feita pela Universidade do Texas, em Austin, e relaciona o nível de auto-estima com a quantidade de um determinado hormônio chamado estradiol. Os cientistas afirmam que essas mulheres, turbinadas com esse hormônio, têm a tendência de se sentirem menos satisfeitas com seus parceiros e menos comprometidas com eles. Os autores da pesquisa revelam que as mulheres praticam uma espécie de “monogamia oportunista em série”, onde estão, de modo instintivo, sempre atentas à uma oportunidade de melhorar a qualidade do relacionamento. Segundo a psicóloga Kristina Durante, a principal autora da pesquisa, publicada na revista Biology Letters, da Royal Society, esse comportamento faz parte da natureza da mulher e conseguir um parceiro que seja ao mesmo tempo um bom provedor de estabilidade para a família e que tenha bons genes para procriar não é lá muito fácil. Por isso, muitas mulheres alternam um relacionamento mais duradouro com aventuras com homens mais atraentes, em busca da melhora dos genes para uma possível procriação. O hormônio estradiol está ligado à fertilidade e à saúde reprodutiva da mulher. As que não tomam pílulas anticoncepcionais estão ainda mais vulneráveis ao hormônio, que tem especial poder de atuação em mulheres solteiras à caça do progenitor.

Cicatrizes

Outra pesquisa revela que cicatrizes leves no rosto podem fazer com que um homem fique mais atraente, pelo menos para relações de curto prazo. A pesquisa, publicada na revista acadêmica Personality and Individual Differences, envolveu 223 pessoas - 147 mulheres e 76 homens. Os resultados revelaram que as mulheres consideram homens com cicatrizes mais atraentes para um relacionamento rápido, mas não para relações de longo prazo, ou seja, aquele que pode melhorar a qualidade dos genes para a reprodução. Porém, não é para qualquer cicatriz que as mulheres dão atenção. Se a marca tiver relação com catapora e acne, ou que sugerem uma cirurgia, indicando um sistema imunológico fraco, podem ser vistas de maneira mais negativa e abortar uma aproximação maior. As cicatrizes consideradas atraentes são aquelas aparentemente associadas com eventos pós-traumáticos ou com algum tipo de violência. Segundo pesquisadores, não está claro porque, exatamente, as mulheres acham homens com cicatrizes mais atraentes, mas uma teoria pode ser a de que as marcas fornecem evidência de um trauma passado e podem dar informações sobre a história e a personalidade do homem.

Escolhas erradas

A surpresa sobre a importância do hormônio no processo de atração vem da Universidade de Liverpool, no norte da Inglaterra, onde os cientistas descobriram que a pílula anticoncepcional pode perturbar o sentido do olfato inerente nas mulheres, levando-as a escolher um parceiro inadequado geneticamente. Para os pesquisadores ingleses as mulheres são naturalmente atraídas por homens que são geneticamente diferentes delas. E em termos de evolução, isso seria muito útil porque garantiria que os filhos herdassem uma gama mais ampla de genes e tivessem sistemas imunológicos mais fortes. Os resultados da pesquisa mostraram que as mulheres que tomavam anticoncepcionais mudaram sua preferência para homens que eram geneticamente mais similares a elas. Ou seja, a pílula se mostra capaz de alterar os sentidos naturais da mulher e romper o desenvolvimento genético inerente a ela. Os pesquisadores destacam, ainda, que isto pode levar a mulher ter problemas relativos à fertilidade e ao aumento do número de abortos involuntários. Eles revelam que parceiros geneticamente semelhantes têm menos chances de reproduzir.

HIPOCONDRÍACOS CIBERNÉTICOS

Diagnósticos criam legião de doentes

Equipe da Microsoft identifica que a internet está construindo uma geração de hipocondríacos cibernéticos. São usuários que após surfar na rede temem os piores diagnósticos para seus sintomas, sem que isso tenha qualquer base científica. A pesquisa revela casos onde uma simples dor de cabeça, por exemplo, ganha status do sintoma de um tumor. O estudo da Microsoft teve como objetivo fazer melhorias em seu próprio site de buscas e mostrou que cerca de 2% de todas as procuras na internet foram relacionadas à saúde. Entre 1 milhão de usuários monitorados pela pesquisa, 250 mil fizeram pelo menos uma busca médica durante o período do estudo - 1/4 dos internautas. As pesquisas foram feitas em busca de explicações para sintomas comuns como dores de cabeça e dores no peito. Embora doenças graves sejam muito mais raras, a navegação tinha grande probabilidade de levar o usuário às páginas que descreviam um quadro mais sombrio. Buscas por "dor no peito" ou "tique nervoso" trouxeram resultados assustadores com a mesma freqüência de condições menos sérias. Uma simples indigestão seguida de taquicardia, por exemplo, chegou a significar para o usuário um ataque cardíaco, e uma tensão muscular chegou ao status de uma neurodegenerativa fatal. A pesquisa foi feita, também, com os empregados da Microsoft, e cerca de 1/3 deles disseram que a primeira busca levou a outras, que exploraram doenças mais sérias e raras. A pesquisa não oferece provas concretas de que fazer buscas na internet aumente os temores em relação à saúde - já que o usuário pode simplesmente estar curioso em relação a uma determinada doença. Porém, os pesquisadores dizem que, dependendo das circunstâncias, é muito provável que isso ocorra. Eric Horvitz, um especialista em inteligência artificial da Microsoft, conta que os instrumentos de busca na internet têm o potencial real de aumentar preocupações com a saúde pessoal.

Cuidados

O serviço oficial de saúde britânico salienta que informações sobre saúde na internet não são substituto para os conselhos de um especialista e é sempre uma boa idéia falar com um médico que pode avaliar melhor os sintomas de um problema. Todos concordam que a internet pode ser um instrumento útil para que se obtenha mais informação sobre certas condições, especialmente sobre o que diz respeito aos sintomas de câncer, mas não deve substituir uma conversa com o especialista, sob pena de se estar tentando resolver um problema, que às vezes nem corresponde à realidade, de modo totalmente equivocado. No Brasil, por exemplo, muitas pessoas ainda não reconhecem os sintomas do câncer e a demora em procurar o médico é uma das razões pelas quais os índices de sobrevivência à doença são muito baixos.

Auto-estima debilitada

Nos Estados Unidos, um estudo feito pela Universidade do Alabama, mostrou que pessoas que sofrem de um tipo de desordem psicológica, a Síndrome de Munchausen, vêm usando salas de bate-papo na Internet para chamar atenção para si. Portadores da Síndrome de Munchausen pensam que têm doenças ou inventam compulsivamente histórias sobre agressões e estupros, fazem volumosos prontuários pessoais e partem para o consultório médico com as soluções prontas advindas de suas pesquisas na Web. O Dr. Trefor Roscoe, médico e especialista em informática da Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, disse que consultórios e hospitais estão sendo tomados por pacientes com Cybercondria. O que ele destaca ser o principal problema para o médico é que ele perde tempo examinando essas pessoas e suas necessidades de avaliação dos diagnósticos. Alguns desses pacientes vão duas vezes por mês ao médico e, segundo ele, essa situação só tende a piorar com a evolução da internet. Há, ainda, o risco de somatização da doença diagnosticada erroneamente onde a doença antes inexistente, passa a se tornar uma realidade por força psicológica. Todo cuidado é pouco!

MOBILIDADE EVAC+CHAIR

EQUIPAMENTO INGLÊS GARANTE MOBILIDADE PARA PESSOAS PORTADORAS DE NECESSIDADES ESPECIAISEM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

Já está disponível no Brasil uma das mais incríveis ferramentas para auxiliar, com eficiência e rapidez, o transporte de pessoas portadoras de deficiência física ou com imobilidade temporária. Trata-se da Evac+Chair, uma cadeira de rodas projetada para descer escadas em emergências, ajudando na evacuação de pessoas impossibilitadas de se movimentar por conta de traumas, lesões como fraturas e outras rupturas, em situações como incêndio, após quedas ou acidentes domésticos. A partir daí, não foi difícil adaptar a utilidade também para deficientes físicos, idosos, mulheres grávidas e vítimas de mal súbito, que constataram na versatilidade da cadeira um grande trunfo em prol da mobilidade. O caso é que com ela é muito fácil descer escadas, um dos maiores e mais comuns problemas encontrados por deficientes físicos e pessoas com idade avançada. O equipamento, por ser muito leve, de fácil aplicabilidade e condução, se tornou a mais eficiente ferramenta para a mobilidade de pessoas com qualquer dificuldade de locomoção.


Por ser de grande conveniência, além de estar integrada ao SAMU, Corpo de Bombeiros, edifícios públicos e comerciais no Brasil, a Evac+ Chair já é comercializada em mais de 10 países, entre eles Japão, Espanha, EUA, Alemanha e França. O equipamento é certificado pelo BRTÜV e elimina a necessidade de alguém carregar a pessoa com dificuldade de locomoção, nos braços ou nos ombros para vencer es-cadas ou desníveis em casos de emergência

Leveza e praticidade para o dia-a-dia e eventuais emergências

Muitos países já adotaram o equipamento como parte essencial do conjunto de segurança e transportes emergenciais. Edifícios comerciais e residenciais adotaram a cadeira como se fosse um item indispensável, e muitos deles mantém várias unidades em uma mesma edificação. Ambulâncias também estão sendo equipadas com a Evac+Chair que vem se mostrando uma alternativa mais rápida e eficaz do que a própria maca ou a chamada prancha, muito usada pelo Corpo de Bombeiros. Contudo, há que se treinar as pessoas que irão conduzir o equipamento. Existem técnicas de transporte e de evacuação emergencial que necessitam ser instruídas. A mobilidade e o conforto estão relacionados com a qualidade do condutor. Por isso, por mais que seja breve e simples, a orientação se torna indispensável.

Ambientes de difícil adequação à acessibilidade

Por ser fácil de usar, a cadeira acaba ajudando de modo relevante não só em emergências, mas, também, quando um deficiente físico precisa se movimentar em locais não adaptados. Em muitas áreas urbanas é complicado o deslocamento de um lado ao outro e pessoas com dificuldade de locomoção, na maior parte das vezes, optam simplesmente por não visitarem esses locais em função do provável aperto que passariam. Curiosamente, por exemplo, vários deles podem ser consumidores em potencial com bom poder aquisitivo. O equipamento se apresenta como uma necessidade operacional para que condomínios, shoppings, repartições públicas e até mesmo residências, possam dar ao deficiente a condição de locomoção emergencial em qualquer parte das edificações, mantendo nessas propriedades alguns equipamentos como esse. É sabido que a maior parte desses ambientes não tem como promover uma reforma que atenda a todas as necessidades do deficiente físico, apesar de já constar em lei. Por isso mesmo, a cadeira pode se configurar numa solução adequada para essa demanda. No Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas têm um tipo de deficiência física e isso significa aproximadamente 1/3 da população do Canadá. Ou seja, muita gente esperando que tenha a condição de locomoção em locais com difícil mobilidade. É uma questão óbvia de respeito, praticidade e segurança. Para maiores informações contate o Sr. Luiz Maran Júnior, da Triunfo Comércio e Serviços LTDA, empresa responsável pelo produto no Brasil - (61) 3361 2221 / e-mail: triunfo@triunfobrasilia.com.br.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Emprego garantido pelo Estado a todo brasileiro - Edição nº 31

Conheça a receita de um milagre possível
Por Eduardo Vergara
Editor da revista Ciência, Cultura e Saúde em Primeira Página
Gestor Interino do Nagesp - Núcleo Acadêmico de Gestão Pública - vergara.nagesp@gmail.com
Presidente do IBIT - vergara@ibit.org.br

A utopia realista de Minsky, um dos mais revolucionários economistas da história, aponta aos comuns uma luz no fim do túnel para dar a mínima condição de sobrevivência a todo brasileiro. Com a sua receita fez surgir o caminho para uma das mais relevantes teorias sobre emprego, formação técnica, fomento do poder de consumo e a conseqüente mega-propulsão para a economia como um todo.

À margem das críticas sobre as políticas assistencialistas governamentais evidenciadas na administração petista de Lula, não há como negar a força econômica que projetos como a bolsa família, o programa de alimentação escolar e, também, do trabalhador, sem considerar quaisquer de seus objetivos políticos, geraram nas classes sociais mais baixas. Há a indicação de que a maior parte dessas ações foi baseada em processos empíricos, na base da experiência pessoal e da intuição, que acabaram injetando uma enorme quantidade de dinheiro na economia e, sem dúvida, melhorando o país como um todo. Mas também, há uma teoria econômica descolada e irreverente, cultivada na mente de um dos mais brilhantes cientistas econômicos, Hyman Minky, que consolida a injeção de recursos nas camadas mais pobres, como um instrumento econômico extremamente eficaz para a estabilização de uma nação em momentos de crise. O conceito parece cair como uma luva para Lula por se encaixar perfeitamente ao modelo populista do PT, ao mesmo tempo em que se baseia em plataformas econômicas fortes e inteligentes.

O conceito

Minsky e as suas idéias voltaram à tona após a deflagração da crise epidêmica do crédito que se iniciou nos EUA e contaminou o mundo. A teoria dele foi lembrada porque considerava que as políticas emergenciais adotadas pelos governos em épocas de crise seriam insuficientes para cobrir o bolsão de miséria ligado ao desemprego involuntário, tendo efeito curativo apenas temporário. A estranha colocação "desemprego involuntário", que pouco ou nada ouvimos falar por aqui, foi o conceito original que baseou todo o estudo de Minsky, que faleceu em 1996. A sua teoria vislumbrou que a política governamental eficiente para estimular a produção e seus efeitos positivos, seria a “Garantia Universal de Emprego Remunerado pelo Estado”. O ressurgimento do conceito estimulou vários pesquisadores em todos os cantos do mundo e no Brasil, já foi criado até o Movimento Nacional pelo Desemprego Zero, cujo membro fundador Daniel Negreiros Conceição discursou sobre a tese na revista Desafios de julho/08 produzida pelo IPEA. No IBIT – Instituto Brasileiro de Inteligência Tecnológica, o assunto foi introduzido à discussão e ganhou novos horizontes os quais inspiraram esta matéria.

O plano

Longe de querer ser um programa assistencialista eleitoreiro, mas naturalmente sendo, o conceito explorado por Minsky é antes de tudo um plano econômico brilhante. A idéia central é o Estado empregar a todos que quisessem trabalhar. Por isso, os novos empregados ganhariam seus salários e os benefícios anexados ao pacote. A injeção de renda, a exemplo do que acontece com a bolsa família dado a 11,1 milhões de famílias (45,8 milhões de pessoas) que vivem abaixo da linha da pobreza no Brasil, aqueceria a economia, estimularia a produção e por conseqüência acabaria gerando emprego no setor privado. Curiosamente, é exatamente o que temos visto no Brasil após a aplicação dos programas assistencialistas de Lula. A indústria brasileira emprega como nunca, a produção bate contínuos recordes e as classes C e D aparecem como as mais cobiçadas pelo mercado empresarial em geral. Inclusive, para executivos que dirigem marcas classificadas como específicas da elite brasileira, especialmente as ligadas à "holding Unilever" e aos produtos Nestlé, o crescimento no Brasil deve considerar de maneira relevante a abrangência e o poder de compra das classes mais baixas. Para Minsky, a aplicação de seu programa seria anticíclica, ou seja, seria instaurada a partir de um momento de crise, como o que está ocorrendo hoje no mundo. Porém, a tecnologia empírica de Lula revela que a metodologia de Minsky tem tudo para ser um compromisso afixado nas entranhas da economia brasileira e a ação transformada num ícone administrativo mundial.

A execução

Casar o Brasil, um país colecionador de pessoas sem recursos técnicos para exercer uma função profissional e, ao mesmo tempo, que as direciona à infinita fila de desempregados, com o Brasil possuidor de uma imensa malha de instituições fomentadoras do ensino profissionalizante, como o SESI, o SENAI, o SESC e o SEBRAE, Escolas Técnicas Profissionais, entre outros, é a essência do roteiro anteriormente desenhado por Minsky. É como combinar goiabada com queijo - a junção da teoria do emprego remunerado pelo Estado com a obrigatoriedade do exercício da profissionalização dos candidatos enquanto estivessem usufruindo do emprego oferecido. Ou seja, enquanto estivessem empregados teriam que estudar para ser tornarem profissionais em alguma coisa. As instituições do sistema "S" citadas recebem mensalmente uma considerável soma de recursos retirados dos impostos da sociedade produtiva do país exatamente para isso, condição que disponibiliza de imediato a estrutura necessária para a execução do programa. Em tempo, a formação de profissionais de qualidade para fomentar a demanda das indústrias brasileiras, um dos maiores problemas estruturais que hoje o país enfrenta, estaria sendo trabalhada de modo relevante para suprir as exigências do desenvolvimento. Como se vê, pode-se chamar a teoria de assistencialismo escancarado. Mas que ela funcionaria, não resta dúvida, nem social e nem econômica.

O público alvo do programa

Segundo a pesquisa Juventude e Políticas Sociais no Brasil, divulgada pelo IPEA em maio deste ano, o país apresentou a maior taxa do mundo (46,6%) de desemprego entre os jovens, reflexo direto da baixa qualidade do ensino brasileiro. A falta de qualificação na força de trabalho entre pessoas de 15 e 24 anos é hoje um dos principais impedimentos à contratação formal. Por isso, dar ao jovem a garantia do emprego aliada à formação profissionalizante é um dos principais objetivos do programa. Quando se trata da população negra, composta de negros e pardos, a taxa de desemprego alcança vergonhosos 55,3% sendo que, em se tratando de mulheres negras, o índice é maior ainda. Os dados são da pesquisa "Os Negros nos Mercados de Trabalhos Metropolitanos", divulgada no dia 17 de novembro de 2006 pelo Dieese. Em termos gerais, segundo o IBGE, as estimativas são para que em 2008 o país tenha pouco mais de 8% da população economicamente ativa na condição de desempregado. Mesmo sendo a menor taxa da história recente do Brasil é um contingente extremamente volumoso e em determinadas regiões como o Distrito Federal, por exemplo, chegou a alarmantes 20% de desempregados em 2007. O que significa 230.000 pessoas, especialmente jovens, sem qualquer destino profissional e com a necessidade de consumir o mínimo para a sobrevivência. Além disso, todo esse pacote anti-desemprego faria com que as pessoas que não optassem pela ocupação oferecida pelo Estado, fossem identificadas como desinteressadas e inúteis pela sua própria família e sociedade contextual. Ou seja, a lição em prol de um comportamento produtivo seria alcançada de um modo ou de outro, pela pressão social, ou pelas condições dadas pelo Estado.

Os resultados

Muitos podem dizer que os programas assistencialistas iniciados no governo de Fernando Henrique e super-dimensionados no governo Lula colaboraram muito para que o Brasil mantivesse taxas tão altas de desemprego porque desestimularia o trabalho. Porém, os números revelam outra coisa. Ano a ano a taxa, apesar de alta, vem baixando consideravelmente, o que desata a conexão entre o desemprego e o assistencialismo pelo ponto de vista puramente doador. O efeito do programa de Minsky sugere a multiplicação dos resultados alcançados pela política assistencialista de Lula por quatro. Para ser mais exato, cada família do programa "Fome Zero", o carro chefe do Presidente, recebe hoje até R$ 112,00 por mês totalizando cerca de 8,75 bilhões de reais/ano, numerário que equivale à injeção de recursos dentro da economia brasileira. O cálculo é simples, se para cada família direcionarmos apenas uma pessoa no programa de emprego oferecido pelo Estado, estaríamos elevando a renda da família em pelo menos quatro vezes levando o salário mínimo como base para a remuneração. Investir na erradicação da pobreza usando a criação do emprego obrigatório como instrumento para isso, desfrutar do lucro social através do desenvolvimento técnico profissional exigido do cidadão como contrapartida ao esforço do Estado em empregá-lo e proporcionar o aquecimento global da economia em dezenas de bilhões de reais, chega a assustar pela simplicidade da aplicação e a conseqüente superpotencialização da economia. A receita de Minsky está aí, Lula pode mandar fazer o bolo, e a população brasileira poderá viver o seu melhor momento na história consumindo as benesses de um plano mágico, realista e criado para o benefício de todos.

terça-feira, novembro 04, 2008

CAPITALISMO AMERICANO EM XEQUE É ALERTA PARA BRASILEIROS

Clique na imagem para ampliar a capa da 30ª edição

Por Eduardo Vergara Editor da revista Ciência, Cultura e Saúde em Primeira Página

Gestor Interino do Nagesp - Núcleo Acadêmico de Gestão Pública - vergara.nagesp@gmail.com

Presidente do IBIT - vergara@ibit.org.br

Wall Street, paraíso dos investimentos mundiais com sede em Nova York, EUA, passa pela maior crise econômica desde 1929, época na qual houve uma quebra generalizada das instituições financeiras, marcada por um imenso volume de suicídios de devedores sem solução. Hoje, diferente do passado, o estado está se movimentando de todas as maneiras para salvar o país de um colapso econômico de proporções ainda maiores. O capital disponibilizado pelo governo americano para salvar a credibilidade dos bancos e do país deverá superar 1 trilhão de dólares e o custo da emissão de todo esse dinheiro poucos economistas se atrevem a prever. O motivo de tudo isso se deu pelo excesso de crédito disponibilizado na praça, especialmente para a compra de imóveis cujas prestações não foram honradas por uma série de contingências, entre elas a alta do petróleo e o aumento do custo de vida, especialmente no que se refere à alimentação. Não é de hoje que o americano vem sofrendo, e até símbolos da exuberância daquele país, como as caminhonetes de alto luxo, estão sendo colocados de lado. Por aqui, essas mesmas caminhonetes que lá não conseguem ser vendidas por preços abaixo do equivalente a R$ 30.000,00 tomam as ruas das grandes cidades brasileiras sem muita cerimônia e com preços acima de R$ 80.000,00. O motivo da euforia brasileira é o crédito que entrou na veia da população como nunca se viu. Crédito aqui, como nos EUA, é o mesmo tipo de veículo para o consumo. E aqui, como lá, pagar a conta por usar o dinheiro dos outros, pode ser inviável no futuro. Para muitos brasileiros, essa já é uma realidade e pagar ao banco que um dia foi bonzinho e emprestou dinheiro com o juro mais alto do planeta já não faz parte da vida de muitos devedores. É exatamente o que acontece hoje nos EUA em uma escala gigantesca. E ninguém, nem mesmo as instituições financeiras mais ricas do mundo, pode pagar a conta do colossal rombo que os endividados americanos deixaram em seus credores. Por lá, o estado emite moeda a todo vapor para salvar não só o país, mas boa parte dos bancos do resto do planeta que também ficaram sem o dinheiro de seus devedores. Mas... E aqui, até que ponto estamos preparados para pagar as nossas contas?

Crédito, doce veneno

Talvez, para compreender o que muitos endividados estão passando hoje ao olhar o extrato bancário e verificar a enxurrada de dinheiro que escapa por entre os dedos em direção aos cofres do seu banco, em forma de juros pelo uso do cheque especial ou empréstimo pessoal, seja preciso voltar à época onde o capitalismo foi formatado por Weber, o protestante pai do sistema na sua forma mais ampla. Esse retorno nos tempos clareia a trajetória do capitalismo que foi sendo configurado por adaptação em diferentes vertentes, sendo ajustado de acordo com o país e a cultura social. Em alguns países, como a Finlândia e a Islândia, por exemplo, que usam o capitalismo como modelo econômico, o crédito não faz parte do dia-a-dia das pessoas que se consideram muito felizes e com muito dinheiro no bolso. Em outros, a presença constante do crédito reeditou o capitalismo e o transformou numa máquina de geração de devedores. A formatação de Weber, oficializada em 1913 na Inglaterra, apresentava a poupança entre os seus valores mais importantes, e a ferramenta de crédito, que é justamente o contrário disso, não foi sequer mencionada por ele. Assim, o capitalismo na sua essência tinha na ação de poupar um dos seus pilares mais nobres. O ajuste individualizado nos países que adotaram o sistema foi responsável pela mudança de suas características originais, e a adoção do crédito como fomentador do consumo acabou virando um dos maiores e ferozes inimigos sociais. O crédito como meio de sustentação financeira aos investimentos futuros para empresas em geral, como adiantamento particular para a condição de compra parcelada ou para resolver situações de emergência pessoal, traz a reboque uma forte cobrança, que pode chegar à perda dos bens adquiridos, à ameaça do nome sujo, à falta de crédito para o resto da vida e problemas de saúde e emocionais relacionados à auto-estima, entre outros. E é o conjunto desse indesejado retorno que faz justificar a palavra “selvagem” como o sobrenome do capitalismo.

Capitalismo selvagem

Não é só por ser implacável com o devedor que o capitalismo tem a fama animalesca. Além de não perdoar ninguém, nas entrelinhas de um contrato de crédito ou na comunicação subliminar de um comercial de televisão, é possível perceber a atuação inteligente de um mestre na arte de vender uma necessidade e de negociar a solução, principalmente quando tem um banco como porta-voz como é comum na maior parte dos cartões de crédito. Aquecido no fervor comercial, o capitalismo amadureceu e hoje é capaz de nos convencer que precisamos de um monte de coisas que na realidade não se justificam. Por acharmos que estamos precisando de algo que não estava nos planos, é necessário um dinheiro extra para bancá-lo. E aí, o capitalismo apresenta o crédito como a solução e acabamos por consumir todas as possibilidades que ele nos oferece, sem medir direito as conseqüências da cobrança que certamente virá.

Usar crédito é aceitar ser devedor

O afago na auto-estima proporcionado pelo momento em que gastamos o dinheiro que não temos, é substituído pela pressão do prazo para quitar uma dívida e, por menor que seja, nos deixa na condição de devedores. Por exemplo, as facilidades de pagamento oferecidas pelo cartão de crédito, os argumentos relativos às questões como segurança e os prêmios pela utilização do cartão, não nos tira da condição de devedores. Desconsiderar a praticidade do dinheiro de plástico não é o objetivo. Porém, lembrar que por trás da ferramenta existe, também, uma armadilha perspicaz para nos transformar em devedores, se faz necessário. As vertentes operacionais são tão sofisticadas que a versatilidade apresentada por alguns cartões vai além da compreensão do cidadão comum. Hoje, há a possibilidade de se pagar todas as contas do tipo luz, telefone e água e, também, a conta do próprio cartão de crédito usando outro cartão de crédito. É verdade! Com o Hipercard do Unibanco é possível pagar a conta do Visa do Banco do Brasil, do American Express do Bradesco e outros. E, com o American, é possível fazer a mesma coisa. Contudo, a tendência é que você caia numa armadilha muito difícil de sair. A facilidade de obter um dinheiro que não é seu para pagar outro dinheiro que não era seu e ainda ganhar tentadores prêmios como milhagens, por exemplo, pode transformar você num mega-devedor. Essa conta crescente transferida de um cartão para outro, meses após meses, irá se tornar impagável. Há a alternativa do pagamento mínimo nas faturas do cartão; porém, por esta via, o juro cobrado sobre o saldo devedor é ainda maior do que se fosse feito um acordo de parcelamento da dívida com a administradora.

Veículos, o sonho

Para muitos dos que estão vivendo problemas financeiros, o veículo comprado para a realização de um sonho transformou-se num pesadelo de grandes proporções. Boa parte das pessoas que devem ao banco credor não podem sequer devolver o veículo porque ele vale menos do que a dívida, exatamente o que está acontecendo com o americano com relação ao imóvel financiado. Um levantamento feito pela Anef - Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras mostra que o saldo do crédito para aquisição de veículos para pessoa física no primeiro bimestre de 2008 cresceu 44,9% em comparação ao mesmo período de 2007, passando de R$ 80,6 bilhões para os atuais R$ 116,8 bilhões. Esse montante equivale a 35,4% do total do crédito destinado às pessoas físicas pelo Sistema Financeiro Nacional e é referente ao total das carteiras de CDC - Crédito Direto ao Consumidor - e Leasing (Arrendamento Mercantil). Todo esse dinheiro no mercado, desde o aumento de prazo para o pagamento, proporcionou a criação de uma demanda inédita de consumidores que achavam que podiam sustentar um financiamento por até 84 longos meses. Muitos deles simplesmente estavam sonhando e utilizaram um dinheiro fácil que parecia não ter dono. Porém, com a descoberta de que a conta a pagar é uma realidade difícil de ser enfrentada, os valores em atraso só no primeiro bimestre de 2008, em comparação ao mesmo período de 2007, apresentaram um crescimento de 23,8%.

O valor do crédito disponível é o valor da dívida em potencial

As operações de crédito no Brasil totalizaram R$ 957,581 bilhões em fevereiro de 2008. Os valores levam em conta os recursos livres e direcionados, ou seja, aqueles como os empréstimos do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e o financiamento habitacional. O estoque de crédito cresceu 32,8% no acumulado de 12 meses, e o brasileiro continua gastando. No setor aéreo, os números divulgados pela Anac - Agência Nacional de Aviação Civil, mostram que os embarques nas viagens internacionais cresceram 36,9% de janeiro a agosto deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior. Apenas no mês de agosto, a alta foi de 26,9% em comparação ao mesmo mês de 2007. A maior parte do consumo do turismo internacional acontece via cartão de crédito e os números astronômicos mostram o quanto o brasileiro é capaz de contrair dívidas simplesmente por usufruir do crédito. O Banco Central estima que todo o crédito disponível no país deve superar 40% do PIB.

ENTENDA O DRAMA AMERICANO

No início dos anos 2000, os juros estavam baixos e grande parte dos americanos refinanciou os seus imóveis com a contrapartida do adiantamento à vista do valor pago até aquele momento. Eles usaram o dinheiro para pagar dívidas no cartão de crédito e para consumir. Os juros subiram, aumentaram a dívida e o devedor não conseguiu honrar seus compromissos. O preço do imóvel caiu e não cobre o financiamento feito. Os bancos não conseguem reaver o dinheiro emprestado e quebram.

De olho na falência do crédito americano

O Brasil deveria estar olhando de perto o comportamento da economia americana. Ela pode indicar um futuro sombrio diante de tanto crédito. Por lá, muitos bancos e financeiras estão quebrando ou sendo comprados pelo governo numa demonstração de que nem tudo são flores com crédito fácil. Já é uma realidade uma espécie de buraco negro na economia que está sugando as instituições que pouco tempo atrás distribuíam crédito imobiliário à vontade. Evitar a falência da Fannie Mae e da Freddie Mac, as duas maiores empresas norte-americanas de crédito à habitação, e da AIG seguradora, foi o sinal mais que amarelo emitido pela rica economia americana. As três empresas corriam o risco de falência por falta de liquidez para fazer face aos seus compromissos, num processo semelhante ao que aconteceu com a Bear Sterns, outro agente financeiro, em Março de 2008. A declaração do homem forte do tesouro americano mostra, em poucas palavras, a preocupação com que o governo está tratando o assunto e o nível de fragilidade que a economia vive o atual momento - "A Fannie Mae e a Freddi Mac têm um papel central no sistema de financiamento do imobiliário americano e precisam continuar a desempenhar esse papel", explicou em nota o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson. As duas empresas possuem ou garantem 520 bilhões de dólares em créditos hipotecários, ou seja, mais de 40% do crédito imobiliário dos Estados Unidos. E, para assegurar a sobrevivência das duas companhias, a Reserva Federal Americana admite adquirir temporariamente as suas ações, um inusitado recurso em se tratando de EUA. Já para o Lehman Brothers, o quarto maior banco dos Estados Unidos com 158 anos de existência, não houve solução. A instituição entrou em processo de falência, ao mesmo tempo em que a estrutura financeira americana anunciou ao mundo rachaduras que vão demorar muito tempo para serem sanadas. Quando o feitiço do crédito se volta contra o feiticeiro, a dificuldade está em arrumar um mágico com poderes ainda maiores para resolver o estrago. Essa situação é a mesma quando um simples mortal não consegue honrar as suas dívidas, isto é, ou ele encontra um credor maior, ou simplesmente “quebra” e deixa de existir como um consumidor “limpo” na praça.

Os ensinamentos

Warren Edward Buffet, um americano de 78 anos, do estado de Nebraska nos EUA, presidente da empresa textil Berkshire Hathaway e dono de uma fortuna estimada em 62 bilhões de dólares, revelou em uma recente entrevista à rede CNBC como conseguiu alcançar tamanha riqueza. O primeiro ponto é o relativo ao trabalho. Com apenas 11 anos comprou as suas primeiras ações na bolsa e lamenta ter começado tarde (aqui no Brasil o pai dele poderia ir preso por incentivo ao trabalho infantil). Reinvestiu seus lucros na diversificação de negócios e com as economias alcançadas com a entrega de jornais comprou uma fazenda aos 14 anos. Em Omaha, há 50 anos, comprou a casa modesta de três quartos, onde mora até hoje, e que não tem muros ou cercas. Apesar de ser proprietário da maior companhia aérea do mundo, não tem jato particular e não mantém em suas costas seguranças ou motoristas. Ele dirige o seu próprio carro, assim como é ele quem faz a pipoca que o acompanha quando assiste à televisão, um de seus passatempos preferidos. Não faz reuniões com seus executivos, com apenas uma carta aos diretores de suas 63 companhias, ele distribui as metas anuais que devem ser atingidas. Não usa telefone celular ou computador, mas foi capaz de doar 31 bilhões de dólares, o equivalente a metade de sua fortuna, para instituições de caridade. Para Bill Gates, da Microsoft, um dos homens mais ricos do mundo, Warren é considerado um guru e a simplicidade com que conduz a vida é o motivo. O que ele nos diz com a sua humildade é:

- Fique longe de cartões de crédito, financiamentos ou empréstimos bancários. Invista o seu dinheiro em você mesmo;

- O dinheiro não cria o homem. O homem é quem cria o dinheiro;

- Viva a sua vida da maneira mais simples possível;

- Não se apegue às marcas famosas. Use apenas aquelas coisas em que você se sinta confortável;

- Não desperdice o seu dinheiro em coisas desnecessárias. Ao invés disso, gaste nas coisas que realmente precisa;

- Afinal de contas, a vida é sua! Então, por que permitir que os outros estabeleçam leis em sua vida?

- As pessoas mais felizes não têm, necessariamente, as melhores coisas. Elas simplesmente

apreciam o que tem.



Nas entrelinhas do pensamento de Warren é possível perceber latente a força para o trabalho desde cedo, a sua capacidade de abrir mão de rótulos sociais e do exercício do poder autocrático, a humildade na conduta como pessoa e como empresário, e uma generosidade para com o próximo fora do comum. Atingir a nobreza de controlar os seus recursos sem dever nada a ninguém em um mundo que vende crédito o tempo todo com palavras agradáveis em nossos ouvidos pode parecer difícil, mas não é. Contudo, doar recursos pessoais na proporção que fez Warrem, nos mostra um estágio de consciência muito longe do que a vã compreensão da grande maioria pode levar. O entendimento de Warren sobre o trabalho, a riqueza e o homem, numa bolha de simplicidade raramente vista, pode ser de grande valia para mudar o jeito de ver e tocar a vida, e trazer para perto a tranquilidade e a felicidade que tanto buscamos.